O que verificar num emprestimo se voce prioriza a prestacao mais baixa

Quando a prioridade é que a prestação mensal seja a mais baixa possível, o empréstimo é analisado com outros olhos. Já não importa tanto quanto custa no total, mas sim quanto sai todos os meses da conta corrente. É uma decisão legítima quando o orçamento mensal é ajustado, mas convém saber exatamente o que se está a trocar em troca dessa prestação reduzida.

Por que o prazo é a alavanca principal

A prestação mensal depende de três variáveis: o montante emprestado, a taxa de juro e o prazo. Das três, o prazo é a que tem mais margem de manobra para baixar a prestação sem tocar no montante. Alargar um empréstimo de 15.000 € para 5 anos em vez de 3 reduz a prestação de forma notável, porque o mesmo capital é repartido por mais meses.

Um empréstimo de 15.000 € a uma TAE de 7% em 3 anos tem uma prestação próxima de 463 € por mês. O mesmo empréstimo a 5 anos baixa a prestação para cerca de 297 € por mês. A diferença mensal é real e notável, mas não é gratuita: paga-se com mais meses de juros acumulados.

O que observar se quero a prestação mais baixa

Antes de olhar para o número final da prestação, há vários elementos que convém rever em conjunto, porque cada um influencia como esse número é construído:

  • O prazo exato em meses, não apenas em anos arredondados.
  • A taxa de juro aplicada e se é fixa ou variável durante todo o prazo.
  • O sistema de amortização, porque nem todos repartem juros e capital da mesma forma.
  • Se existem comissões que se somem à prestação ou que sejam cobradas em separado.
  • O custo total do empréstimo somando todas as prestações, não apenas a primeira.

Rever apenas a prestação inicial sem observar estes elementos é um dos erros comuns ao comparar empréstimos apenas pela prestação mensal, porque dois empréstimos com a mesma prestação podem ter um custo total muito diferente.

Empréstimo com prestação mensal baixa: o que rever no prazo

Nem todos os prazos longos são iguais. Alguns empréstimos permitem escolher o prazo com liberdade, enquanto outros o condicionam ao montante ou ao perfil do pedido. Convém verificar se o prazo escolhido é fixo durante toda a vida do empréstimo ou se pode ser modificado mais adiante, e quais as condições dessa modificação.

Também é útil verificar se a taxa de juro muda de acordo com o prazo escolhido. Em alguns empréstimos, prazos mais longos vêm acompanhados de uma taxa de juro um pouco mais alta, o que reduz a prestação por duas vias ao mesmo tempo, mas também aumenta o custo total de forma acumulada.

O custo total maior que traz a prestação reduzida

Uma prestação reduzida não elimina juros, apenas os distribui por mais meses. Quanto mais se alarga o prazo, mais meses se pagam juros sobre o capital que ainda está pendente. O resultado é que o custo total do empréstimo aumenta, mesmo que a taxa de juro nominal se mantenha igual.

Seguindo o exemplo anterior: o empréstimo a 3 anos paga no total cerca de 1.680 € de juros. O mesmo empréstimo a 5 anos paga cerca de 2.820 € de juros, quase o dobro, para financiar o mesmo capital. É o preço da comodidade mensal.

Priorizar prestação baixa num empréstimo não significa ignorar o resto

Priorizar prestação baixa num empréstimo é uma decisão de orçamento mensal, não uma forma de evitar analisar as restantes condições. Tudo o que se revisa em qualquer empréstimo continua a aplicar-se: comissões de abertura, despesas associadas, condições de amortização anticipada e letra pequena sobre penalizações.

Para ter uma visão completa do que comparar em qualquer oferta, convém rever como comparar as condições de um empréstimo antes de decidir e aplicar esse quadro geral antes de olhar apenas para a prestação.

Comissões que podem inflacionar a prestação sem que se note

Algumas comissões são cobradas em separado no início do empréstimo, mas outras são integradas dentro da prestação mensal ou são rateadas no cálculo. Uma comissão de abertura financiada dentro do capital, por exemplo, aumenta ligeiramente o montante emprestado e com isso a prestação, ainda que o número pareça pequeno mês a mês.

Verificar se existem comissões de estudo, de gestão ou de cancelamento antecipado ajuda a entender se a prestação baixa reflete realmente o custo do empréstimo ou se há elementos adicionais a somar por outro lado.

Como calcular diferentes prestações antes de decidir

A forma mais clara de ver o efeito do prazo sobre a prestação é simular vários cenários com o mesmo montante e taxa de juro, mudando apenas o número de meses. Ao fazê-lo lado a lado, fica visível quanto baixa a prestação e quanto sobe o custo total em cada caso.

Para fazer estes cálculos sem depender de fórmulas manuais, existe uma calculadora de prestação de empréstimo que permite introduzir montante, taxa de juro e prazo, e ver de forma imediata a prestação resultante e o custo total acumulado em cada cenário.

O que perguntar antes de decidir pela prestação mais baixa

Antes de assinar o empréstimo com a prestação mais reduzida entre várias opções, faz sentido fazer algumas perguntas concretas:

  • Qual é o custo total somando todas as prestações do prazo escolhido?
  • A taxa de juro é a mesma que em prazos mais curtos ou muda?
  • Existem penalizações se mais adiante se quiser reduzir o prazo?
  • A prestação inclui comissões ou estas são cobradas em separado?

Estas perguntas podem ser ampliadas revisando que perguntas fazer antes de assinar qualquer empréstimo, um exercício que ajuda a não deixar pontas soltas por se concentrar apenas no número mensal.

Perguntas frequentes

Escolher o prazo mais longo dá sempre a prestação mais baixa?

Na grande maioria dos casos sim, porque repartir o mesmo capital por mais meses reduz o pagamento mensal. A excepção surge quando a taxa de juro muda de acordo com o prazo, caso em que convém calcular a prestação real de cada opção antes de assumir que o prazo mais longo é automaticamente o mais barato por mês.

Uma prestação baixa significa que o empréstimo é mais barato?

Não necessariamente. Uma prestação baixa costuma estar associada a um prazo mais longo, o que aumenta o número de meses em que se pagam juros sobre o capital pendente. O resultado habitual é que o custo total do empréstimo seja maior, embora o pagamento mensal seja mais confortável.

Como sei quanto sobe o custo total ao alargar o prazo?

A forma mais direta é somar todas as prestações previstas para cada prazo e comparar esses totais entre si. Também é possível simular com uma calculadora de amortização introduzindo o mesmo montante e taxa de juro com prazos diferentes, para ver a diferença de custo total de forma imediata.

As comissões afetam a prestação mensal ou só se pagam em separado?

Depende do empréstimo. Algumas comissões, como a de abertura, são cobradas uma única vez no início e não afetam a prestação. Outras vezes são financiadas dentro do capital emprestado, o que aumenta ligeiramente o montante total a devolver e, com isso, a prestação mensal calculada sobre esse montante maior.

É possível reduzir a prestação mais adiante sem mudar de empréstimo?

Alguns empréstimos permitem solicitar uma ampliação de prazo durante a vida do contrato, o que reduz a prestação restante em troca de alargar o tempo total de pagamento. Esta possibilidade depende das condições concretas de cada empréstimo e convém revisá-la na letra pequena antes de assinar.

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