Erros comuns ao comparar emprestimos so pela prestacao mensal

Dois empréstimos de 15.000 euros podem ter prestações mensais quase idênticas e um custo total que difere em mais de 1.500 euros. Isso acontece porque a prestação mensal é apenas uma fotografia parcial: depende do prazo, da taxa de juro e de como o pagamento é dividido entre capital e juros. Focar-se apenas nesse número mensal é o erro mais comum ao comparar empréstimos, e também um dos mais caros.

Por que a prestação mensal não conta toda a história

A prestação mensal é o resultado de uma fórmula que combina três variáveis: o capital emprestado, a taxa de juro e o prazo. Mudar qualquer uma delas altera a prestação, mas não sempre na mesma direção que o custo total. Um empréstimo pode ter uma prestação mais baixa simplesmente porque o prazo foi alongado, não porque seja mais barato.

Este é precisamente um dos erros ao comparar empréstimos pela prestação: tratar esse número como se fosse um indicador de custo, quando na realidade é um indicador de distribuição no tempo.

O prazo alongado que disfarça a prestação

Tomemos um empréstimo de 10.000 euros com juro anual de 8%. A 3 anos (36 meses), a prestação mensal fica em torno de 313 euros e o total de juros pagos é de aproximadamente 1.280 euros. O mesmo empréstimo a 6 anos (72 meses) reduz a prestação para cerca de 175 euros, mas os juros totais sobem para próximo de 2.600 euros.

  • Prazo curto: prestação alta, custo total baixo
  • Prazo longo: prestação baixa, custo total alto
  • A diferença entre os dois cenários pode duplicar o custo em juros

O prazo alongado é, disparadamente, a forma mais habitual de conseguir uma prestação atrativa sem que isso signifique um empréstimo mais económico. Por isso, uma prestação baixa nem sempre é o melhor empréstimo: pode ser simplesmente um empréstimo mais longo.

O custo total ignorado

O custo total de um empréstimo é a soma de todas as prestações pagas durante toda a sua vida, mais qualquer despesa associada à operação. Quando a comparação se limita à prestação, esse custo total fica fora da análise, e é precisamente aí que se escondem as diferenças reais entre duas ofertas.

Para entender bem esta ideia, vale a pena rever como comparar o custo total de dois empréstimos diferentes, um passo que evita ficar apenas com o número mensal.

Confundir prestação baixa com taxa de juro baixa

Outro erro frequente é assumir que uma prestação mais baixa implica automaticamente uma taxa de juro mais baixa. Não é assim: como já foi visto, o prazo influencia tanto quanto a taxa de juro no resultado final da prestação. Dois empréstimos com taxas de juro diferentes podem resultar em prestações parecidas simplesmente ajustando o prazo.

Essa confusão leva a decisões baseadas numa perceção errada do custo real de se financiar, em vez de nos números concretos de cada oferta.

Não revisar como se distribui capital e juros em cada prestação

Num empréstimo com sistema de amortização francês, o mais habitual, cada prestação mensal tem o mesmo valor, mas a proporção entre capital e juros muda mês a mês. No início paga-se mais juro e menos capital; no final ocorre o contrário. Dois empréstimos com a mesma prestação podem amortizar capital a ritmos muito diferentes.

Isso importa especialmente se existir a possibilidade de cancelar o empréstimo antecipadamente: o capital pendente num determinado momento pode ser muito diferente entre dois empréstimos com prestações idênticas.

Ignorar outras despesas que não aparecem na prestação

A prestação mensal reflete capital e juros, mas nem sempre inclui comissões de abertura, estudo ou outras despesas ligadas à operação. Dois empréstimos com a mesma prestação podem ter custos iniciais muito diferentes que só se detetam revisando o detalhe completo das condições.

Vale a pena rever com calma que outras despesas rever além da taxa de juro antes de considerar válida qualquer comparação baseada apenas na prestação.

Como fazer as contas antes de comparar

Antes de comparar prestações, faz sentido calcular o cenário completo de cada empréstimo: capital, taxa de juro, prazo e custo total resultante. Uma calculadora de prestação de empréstimo permite ver rapidamente como a prestação e o total de juros mudam ao alterar o prazo ou a taxa, sem depender de estimativas aproximadas.

Testar diferentes cenários com esta calculadora de amortização ajuda a visualizar de forma concreta o efeito real do prazo sobre o custo total, algo que a prestação mensal por si só não mostra.

O que observar em vez da prestação isolada

Uma comparação completa inclui, pelo menos:

  • O custo total do empréstimo, não apenas a prestação
  • O prazo e o seu efeito sobre os juros acumulados
  • As despesas associadas à abertura ou gestão
  • O capital pendente em diferentes momentos do empréstimo

Observar estes quatro elementos juntos, em vez da prestação isolada, evita a maioria dos erros ao comparar empréstimos pela prestação.

Perguntas frequentes

Por que não comparar empréstimos apenas pela prestação?

Porque a prestação mensal depende do prazo tanto quanto da taxa de juro, e um prazo mais longo reduz a prestação embora aumente o custo total em juros. Comparar apenas esse número pode levar a escolher o empréstimo mais caro pensando que é o mais barato.

Uma prestação baixa indica sempre um empréstimo mais barato?

Não. Uma prestação baixa pode resultar de um prazo mais longo, o que geralmente aumenta o total de juros pagos durante toda a vida do empréstimo, mesmo que a taxa de juro seja igual ou mais baixa.

Que papel tem o prazo alongado neste erro?

Alongar o prazo distribui o mesmo capital e juros em mais prestações, reduzindo cada pagamento mensal, mas o juro é aplicado durante mais tempo, o que aumenta o custo total do empréstimo de forma notável.

Como se pode evitar este erro ao comparar ofertas?

Calculando e comparando o custo total de cada empréstimo, não apenas a prestação mensal, e revisando o prazo, as despesas associadas e a distribuição entre capital e juros em cada oferta antes de decidir.

A prestação mensal serve para algo na comparação?

Sim, é útil para saber se um pagamento mensal se ajusta ao orçamento disponível, mas deve ser analisada juntamente com o custo total e o prazo, nunca como único critério para decidir entre dois empréstimos.

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